A relação entre o Gira-mundo e o Guarda-Chuva de Babel
Os inventores são a classe de maior valor. Tudo começou com o controle das faíscas, depois veio a roda e ladeira abaixo sem freio. Inventaram o Gira-mundo: o tédio com a parafernália de utilidades movimentou economias públicas e privadas para construir essa grande obra em torno do globo terrestre.
Hastes bem fincadas com molas contra abalos sísmicos e altura titânica. Passaria pelo oceano uma fibra tensa de metal criado por nanotecnologia - não podia ser corroído pela salinidade. Essa fibra seria o trilho de uma cesta gigante com oferendas de cada território para os seguintes. Ninguém sabe com certeza como ela se esvazia mas, como termina na China, dizem que trabalhadores cavaram um buraco que vai até o núcleo da Terra e lá as prendas se tornam o alimento do equilíbrio no mundo.
O universalismo ético se fortaleceu com essa obra da Criação e, como duplo do universalismo, a pluralidade explodiu a ponto de se necessitar um novo sistema que organizasse os territórios dentro e fora dos países. Devo salientar que, apesar de falar em “sistema”, é uma obviedade que nego a tese dos biólogos e antropologistas que consideram o Guarda-chuva de Babel um organismo. Guarda-chuva não é tartaruga.
A questão é simples: pelos sentidos podemos saber sobre bom ou mau. É substantivo em si qualificado ou adjetivo com substância. Um bom trabalhador é alguém que faz bem seu trabalho. Sua atividade tem substância, qualidade reconhecida. O problema surge no bem adjetivo: não poderia ser substancializado na ética universalista.
Esse bem representado seria desrespeitoso à pluralidade cultural.
A estética se tornou a chave.
Vê lá em cima a base.
...
Esse cabo de Guarda-chuva está por uma linha pendurado.
A haste gigantesca é por onde
desce
e
sobe
a cesta para oferendas.
Não há espaço e não há tempo para traduzi-la.
Essa torre central varia de país para país, a dos Estados Unidos da América, por exemplo, é um pênis desmedido - previsível pois sempre foram aficionados em produzir cinema de heróis. Já a da China é uma espiral preta e branca, só sabemos que é o movimento do Yin Yang por causa da curvatura do cabo - o que revela o símbolo em sua ponta.
No Brasil, a torre é uma estátua monstruosa da Nossa Senhora da Conceição Aparecida: durante o dia é Santa e sob luz negra, à noite, é puta. O esqueleto da cidade é dividido em dezesseis partes onde cada uma dessas é dividida em sete partes no eixo horizontal e em duas partes no eixo vertical.
O primeiro setor horizontal é dos cachaceiros e fumantes, o segundo dos médicos e curandeiros, o terceiro policiais e guerreiros, o quarto é dos de sexualidade livre, o quinto de ambientalistas, o sexto das matriarcas, o sétimo dos advogados e juízes, o oitavo das feministas e professores, o nono dos caçadores, o décimo dos impossíveis, o décimo primeiro de alquimistas, o décimo segundo de homens de paz, o décimo terceiro de narcisistas, o décimo quarto de idosos, e décimo quinto, crianças. O último é mistério. Os andares são para separar classes: os mais criativos, coincidentemente, são da elite e ficam acima. Os mais pobres ficam embaixo. Na classe de baixo, alguns eixos sofrem superpopulação. Os homens de paz sempre defendem que é preciso criar criativos em criadouros para que subam aos poucos à classe de cima. Existem outras questões como abstêmios numa das sete partes do setor cachaceiro e homens fascistoides no das matriarcas, ainda tem gente quer ter moradia em dois setores diferentes. As escolas tentam resolver o problema, mas é Babel.
De
que
vale
v e
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um invertido?
guarda chuva
-
É para segurar a chuva no lago central em volta da Torre. Evidente.
E
s
c
o
r
r
e
até
o
núcleo
do
equilíbrio
onde
queima
a
Terra
.